- Inquérito sobre a confiança dos empreiteiros revela que 60% dos inquiridos esperam uma melhoria das condições de mercado em 2026
- Os custos de adaptação e acabamento de escritórios estabilizam na maioria dos principais mercados, após fortes subidas nos últimos anos
O EMEA Office Fit Out Cost Guide 2026 da Cushman & Wakefield (C&W) mostra um mercado resiliente, apesar dos desafios constantes, como as tarifas e os conflitos ainda em curso na região. O estudo analisa 53 cidades da região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) e revela que, em 2025, os custos médios de fit-out (adaptação e acabamento) de escritórios atingiram 1.509 €/m², um aumento de 3,8% face ao ano anterior. No entanto, depois de vários anos de subidas significativas, os custos começaram a estabilizar em muitos mercados-chave, como Alemanha, Bélgica e Países Baixos, e no Reino Unido onde se registou mesmo uma ligeira descida.
O inquérito anual da Cushman & Wakefield junto dos empreiteiros europeus, que este ano contou com a participação de 140 empresas, mostra um sentimento claramente mais positivo: 60% dos inquiridos acreditam que as condições de mercado vão melhorar em 2026, sendo que 45% esperam uma melhoria ligeira e 15% uma melhoria significativa. Esta percentagem sobe para mais de 80% na Alemanha, Portugal e Suécia.
Este otimismo é apoiado pela recuperação da procura por escritórios. A absorção líquida deverá atingir 2 milhões de metros quadrados em 2026 e 2,5 milhões de metros quadrados em 2027, refletindo um maior interesse dos ocupantes em regressar ao escritório e investir nos seus espaços de trabalho. Apesar disso, os empreiteiros continuam cautelosos quanto à evolução dos preços no curto prazo: 39% acreditam que os preços se manterão estáveis, enquanto 57% antecipam um ligeiro aumento. Ao mesmo tempo, 78% esperam um aumento dos seus próprios custos, sobretudo com materiais e mão de obra, o que cria pressão sobre as margens, obrigando a escolher entre subir preços ou aceitar margens mais baixas.
Nic Wilkinson, Vice President - Project & Development Services, EMEA, comenta: “Em 2025, os custos de fit-out e os prazos de execução dos projetos normalizaram na maioria dos mercados europeus. Os volumes de trabalho tornaram-se mais equilibrados e os receios iniciais sobre o impacto das tarifas nas cadeias de abastecimento acabaram por não se confirmar, com dois terços dos empreiteiros a indicar que não sentiram qualquer efeito.” Wilkinson acrescenta ainda: “Os projetos de desenvolvimento de escritórios continuam a ser relativamente contidos, refletindo os elevados custos de construção e materiais registados nos últimos anos. Em simultâneo, a forte concorrência por espaços de elevada qualidade torna o planeamento antecipado e uma execução rigorosa ainda mais importantes. No futuro, prevemos um crescimento contínuo da procura por fit-outs de escritório de alta qualidade, mais focadas na experiência do utilizador, à medida que as empresas dão cada vez mais prioridade ao bem-estar e à produtividade.”
Evolução dos custos de adaptação (2025 → 2026)
O Guia de 2026 mostra diferenças claras nos custos de fit-out entre cidades europeias (€/m²):
Custos a subir: A Irlanda e a Eslováquia registaram aumentos relevantes face ao ano anterior (Dublin: 2.300 € vs. 2.100 € e Bratislava: 1.300 € vs. 1.140 €)
Custos em queda: O Reino Unido foi o único mercado europeu onde os custos médios diminuíram, embora de forma muito ligeira (menos de 0,2%). Londres continua a ser a cidade mais cara da Europa, com 2.668 €/m², e o país concentra 4 das 10 cidades mais caras.
Custos estáveis: A Alemanha manteve os custos praticamente inalterados, com Hamburgo (2.512 €/m²) entre as cidades mais caras da Europa
Também se mantiveram estáveis mercados como: Noruega (Oslo: 1.770 €), Bélgica (Bruxelas: 1.661 €), Dinamarca (Copenhaga: 1.661 €), Finlândia (Helsínquia: 1.558 €) e Países Baixos (Amesterdão: 1.250 €).
Melhor relação qualidade-preço: A Croácia destaca-se como o mercado mais competitivo da Europa, com Zagreb (750 €) a apresentar os custos mais baixos.
Estas diferenças refletem as dinâmicas locais da construção, bem como fatores económicos mais amplos que continuam a influenciar os custos de materiais, mão de obra e execução dos projetos em toda a região.
Perspetivas
Nic Wilkinson conclui: “Os conflitos em curso, o aumento dos riscos geopolíticos e as tarifas dos EUA sobre as importações criaram desafios importantes em 2025, levando a perturbações pontuais nas cadeias de abastecimento e a um comércio global desigual. Olhando para o futuro, a instabilidade geopolítica, incluindo a incerteza associada ao conflito no Médio Oriente, pode voltar a pressionar os mercados energéticos, a inflação e a disponibilidade de materiais e mão de obra. Apesar da resiliência demonstrada até agora, estes fatores continuam a representar um risco relevante para a estabilidade das cadeias de abastecimento e para a evolução dos preços.”
Para Vitor Cajus, Partner e Head of Project & Development Services Portugal: “Em 2026, o fit out de escritórios ganhará ainda mais importância tanto em Lisboa como no Porto, embora por razões ligeiramente
distintas. Em Lisboa, a forte procura por escritórios de elevada qualidade, claramente superior à oferta disponível, continua a impulsionar o investimento na adaptação e valorização dos espaços. No Porto, onde a oferta de escritórios já com fit out incluído ainda não é a regra, existe um elevado potencial de crescimento, tornando este segmento cada vez mais estratégico para alinhar a oferta com as expectativas dos ocupantes. Talvez por estas razões, Portugal destaca-se como um dos poucos países da Europa, a par da Alemanha e da Suécia, onde o sentimento é particularmente positivo, com mais de 80% dos empreiteiros a anteciparem uma melhoria das condições de mercado em 2026.”