Contexto Económico
A economia portuguesa continuou a sua trajetória positiva no primeiro trimestre de 2026, demonstrando resiliência sustentada. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 2,3%, um valor que supera a média da Zona Euro. As pressões inflacionistas abrandaram, com a taxa a moderar-se para 2,3% em 2025. As projeções indicam que a inflação se estabilizará abaixo da marca dos 2,0% nos próximos anos, embora se preveja um aumento temporário para 2,6% em 2026. O mercado de trabalho tem demonstrado resiliência, prevendo-se que a taxa de desemprego desça para 5,7%. No entanto, prevê-se que o ritmo de criação de emprego abrande, com um crescimento previsto de 1,3%.
Investimento
O primeiro trimestre registou uma recuperação significativa do investimento, com o volume total do mercado imobiliário comercial a atingir 898 milhões de euros, um aumento de 37% em termos homólogos. O setor do retalho liderou o crescimento, representando 38% do investimento total, impulsionado em grande parte pela venda do portfólio ArrábidaShopping & GaiaShopping (70%). O setor hoteleiro ficou em segundo lugar, com 37%, com destaque para a aquisição do Ritz Carlton, Penha Longa Resort, enquanto o setor de ativos alternativos, incluindo centros de dados, contribuiu com uns notáveis 16% do volume.
A atividade de investimento foi dominada por algumas transações de grande escala, com as cinco maiores transações a representarem mais de 60% do volume total. Isto indica uma preferência do mercado por ativos de alta qualidade e de grande escala. O valor médio das transações aumentou para 32 milhões de euros, reforçando esta tendência.
Por setor, a repartição do investimento foi a seguinte: o retalho registou 340 milhões de euros em 11 transações, a hotelaria atingiu 336 milhões de euros em 6 transações e a categoria «Outros» (incluindo alternativos) ascendeu a 140 milhões de euros em 3 transações. O setor de escritórios registou 43 milhões de euros em 3 transações e o investimento industrial totalizou 39 milhões de euros em 4 transações.
Tendências de rentabilidade
As rendas de primeira linha mantiveram-se estáveis em todos os setores imobiliários no primeiro trimestre de 2026. Esta estabilidade, juntamente com rendimentos consistentes, aponta para um mercado maduro. Espera-se um crescimento das rendas a curto prazo, especialmente em áreas de elevada procura.
Durante o primeiro trimestre de 2026 as prime yields mantiveram-se estáveis em todos os setores. Estes valores situam-se atualmente em 5,00% para escritórios, 4,00% para comércio de rua, 5,50% para logística, 6,15% para centros comerciais e 6,40% para retail parks.